Domingo, 03 de setembro de 2017
Na Abimaq ninguém mais parece ter dúvidas de que a indústria de máquinas e equipamentos caminha para o quarto ano de queda consecutiva. Na coletiva de imprensa realizada na quarta-feira passada, para a apresentação do balanço do setor em julho, a única dúvida que parecia restar entre os representantes da entidade era sobre o percentual – algo entre 2% e 5%.
Vale lembrar que, no início de 2017, a entidade projetava crescimento de 5% para este exercício. E, ainda, que desde 2013 o faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos encolheu mais de 50%.
A justificativa para o pessimismo está nos números do balanço. Em julho, a receita líquida total caiu 1,6% na comparação com o mês anterior. No acumulado de janeiro a julho, a retração é de 5,6% em relação ao mesmo período de 2016. A receita líquida interna também caiu em julho (-1,9%) e agora, nesta variável que até então era positiva, apresenta queda de 0,9% no acumulado do ano.
O dado mais negativo está no consumo aparente (produção interna, mais importações, menos exportações) que registra recuo de 25,4%, ainda que em julho, na comparação com o mês anterior, tenha crescido 6,8%. “Essa queda no consumo aparente deveria acender a luz vermelha para os governantes de qualquer país, pois significa que não estão sendo realizados investimentos em máquinas (nem nacionais, nem importadas) e que a produtividade da indústria nacional – que já apresentava um gap enorme em 2013 – irá cair ainda mais”, disse José Velloso, presidente-executivo da Abimaq. “Vale frisar que esta queda de 25% não é algo pontual: está ocorrendo após três anos de quedas sucessivas”, acrescentou.
Um dado positivo para o setor são as exportações. Nos sete meses de 2017, as vendas externas estão 4,7% acima do mesmo período do ano anterior, embora tenham caído 3,4% na comparação entre julho e junho. Essa queda, aliás, se deve à valorização do real, pois em volume as exportações cresceram.
“As exportações cresceram um pouco em dólar, mas se o dólar cai... Veja o estrago que faz um câmbio defasado: nossa indústria perde mercado e perde receita”, observou Mário Bernardini, diretor de Competitividade da Abimaq, que disse estranhar o fato de o Banco Central e o mercado financeiro estarem torcendo por um dólar abaixo de R$ 3 até o final de 2017. “Estão dizendo que se a TLP for aprovada, entre os outros “se”, o dólar vai a R$ 2,90. O que o Brasil ganha com isso, eu não sei. Vai acabar de destruir o pouco de indústria que ainda temos”.
Um dos resultados desse quadro é a diminuição no número de empregados no setor. Em julho, houve nova queda, desta vez de 0,6%. Desde maio de 2013, o número de postos de trabalho na indústria de máquinas e equipamentos foi reduzido em mais de 25%, ou 91.581 empregos. Em maio de 2013 o setor empregava 380.285 pessoas, número que caiu para 288.704 no final de julho de 2017.