Abimaq se mostra bastante otimista com futuro governo

​A direção da Abimaq está bastante otimista com o futuro governo, conforme demonstrado em coletiva de imprensa, realizada na semana passada em São Paulo.

Quarta, 07 de novembro de 2018

José Velloso, presidente executivo da entidade, informou que, em conjunto com uma comitiva de representantes da indústria (Anfavea, Aço Brasil, Cbic, Abit, Abiquim e AEB), participou na semana que antecedeu o segundo turno, de reuniões com Jair Bolsonaro e com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e as conversas teriam sido muito positivas.

“O então candidato fez alguns comentários que nos alegraram muito. Ele nos disse: se eu me tornar presidente a primeira coisa que vamos fazer é parar de atrapalhar a indústria”, contou Velloso, acrescentando que existe um reconhecimento do presidente eleito de que o governo intervem demais na economia. “Ele falou inclusive que o Brasil precisa voltar a exportar mais, mas que precisamos exportar produtos com maior valor agregado”.

Velloso contou que o convite para a reunião foi feito por Onyx Lorenzoni e que representantes das sete entidades foram ao Rio de Janeiro “para expor a importância e a relevância da indústria para a retomada do crescimento”. Na reunião com Bolsonaro, que durou cerca de hora e meia, as entidades apresentaram uma pauta conjunta.

Entre os pontos da pauta, estavam a necessidade de ajuste fiscal (que abriria espaço para redução dos juros), uma reforma tributária que traga maior competitividade à indústria da manufatura e à economia brasileira como um todo. “Lembramos que é preciso uma reforma que traga mais justiça. A indústria paga muitos impostos. 30% de tudo o que se arrecada no Brasil vem da indústria e mais de 40% do que a indústria transforma acabam virando impostos”, disse Velloso. Para ele, a reforma deve ainda trazer transparência, desoneração dos investimento (“O Brasil é único país que tributa investimentos”) e também a simplificação dos impostos.

ABERTURA COMERCIAL - Também foi abordada a necessidade de uma abertura comercial, que seja feita através de acordos comerciais e que contribua inclusive para que o Brasil conquiste novos mercados. “Lembramos ao presidente que uma abertura, como a feita nos anos 1990 pelo então presidente Collor de Mello, seria um grande erro. Naquela ocasião foi feita uma abertura abrupta, unilateral, que não melhorou nossas exportações. Pelo contário, perdemos competitividade e, desde então, a indústria passou a ter menor relevância na economia brasileira”, informou.

De acordo com Velloso, quando foi realizada a abertura no Governo Collor, dentro da pauta de exportações brasileiras, 65% eram produtos da indústria de transformação. Hoje, essa a participação é de apenas 32%. “Portanto, houve uma reprimarização da nossa pauta de exportações... a abertura comercial deve ser acompanhada de uma agenda de competitividade, pois temos ano a ano perdido posições nos diversos rankings existentes”.

Os industriais ouviram ainda que o futuro governo irá se empenhar na aprovação das reformas. “Estamos otimistas de que vamos passar agora para uma nova fase, um ciclo de retomada. Ou seja, fazer a lição de casa, cuidar dos itens que compõem o Custo Brasil e começar com uma agenda positiva, que inclui a retomada da confiança dos agentes economicos. Assim o setor produtivo pode ter um ciclo de crescimento e sair dessa crise”, conclui Velloso.

REINDUSTRIALIZAR O PAÍS - Para João Carlos Marchesan, presidente do Conselho da Abimaq/Sindimaq, a reforma da previdência e as privatizações são primordiais para garantir o ajuste fiscal e a redução sustentada dos juros. “Por outro lado, as intenções de desburocratizar e realizar uma reforma tributária e desonerar a folha de pagamento sinalizam que vamos em direção de reduzir o Custo Brasil, aumentando assim a competitividade do setor produtivo, permitindo seguirmos em uma agenda de maior abertura comercial a ser negociada”.

Na avaliação de Marchesan, “tudo isso vem ao encontro do trabalho que a Abimaq tem realizado, falado e publicado, como consta da cartilha que entregamos a todos os presidenciáveis, que em resumo é reindustrializar o País e fazer o Brasil voltar a crescer”.

Marchesan lembrou ainda que a Abimaq foi convidada a contribuir com o governo de transição, sugerindo ideias. A entidade inclusive já tinha reunião agendada em Brasília com o futuro ministro da Casa Civil, na quinta-feira passada. “A Abimaq vai ser ouvida oficialmente. Já começamos o trabalho de participar ativamente, para que ouçam o que a indústria precisa para que o País volte a crescer com emprego e renda e possamos exportar muito mais do que hoje”.


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